Blocos de Notas

Por Tiago Celestino

O que um especialista em box para banheiro me ensinou sobre a adoção real de IA

Originalmente postei no Órbita esse relato. Caso queira conversar a respeito, fique à vontade: https://manualdousuario.net/orbita-post/o-que-um-especialista-em-box-para-banheiro-me-ensinou-sobre-a-adocao-real-de-ia/

Na quarta-feira (22/04/2026), aconteceu uma situação que me abriu muito a mente sobre o uso de IA fora da bolha de tecnologia. Leio, assisto e converso com amigos e colegas sobre IA, agentes, etc., tudo mais voltado para o desenvolvimento de software e áreas afins. Seja para aumentar produtividade, vibe coding, no final é muito voltado para tecnologia. Na quarta-feira, mais do que nunca, confirmei que as pessoas fora dessa bolha também estão usando, e usando muito bem as ferramentas disponíveis.

Contextualizando

Precisei ajustar o box do banheiro daqui de casa e contratei um técnico que encontrei via Google Maps. Tenho o hábito de conversar com os prestadores de serviços, sempre reforçando se estou atrapalhando o serviço, óbvio. Surgiu o papo sobre tecnologia. Geralmente começam perguntando o que faço da vida, etc. Bom, o técnico já me vem com esta: “faço algumas coisas com JS”. E como ele faz isso? Usando o ChatGPT. Não fiquei impressionado com o fato de ele usar a IA para gerar código — hoje qualquer pessoa pode fazer isso — mas o fato de ele saber o que é JavaScript, inclusive diferenciar backend e frontend, me impressionou. Todo esse conhecimento foi adquirido com o uso dessas ferramentas de IA. Um detalhe: ele nunca foi da área de tecnologia.

A realidade é que, independentemente da qualidade do que essas ferramentas produzem, a maioria das automações para uso profissional não vai precisar escalar. Um especialista em boxes de banheiro não vai processar milhares de pedidos de orçamentos por hora, por exemplo.

O uso de ferramentas de IA

Assim como grande parte dos prestadores de serviços do país, ele usa o WhatsApp como CRM.

O fluxo dele atualmente é:

  1. Capturar o lead, seja por telefone, WhatsApp, Google Ads, etc. Inclusive, usa o Gemini para extrair os números de múltiplas ligações.
  2. Enviar uma mensagem padrão (já salva no WhatsApp) de boas-vindas para o contato de forma manual.
  3. Solicitar um vídeo do problema do cliente, também com um texto salvo.
  4. Enviar o orçamento.

Tem um detalhe no passo 4 que comento logo mais.

Ele quer automatizar esses processos que realiza manualmente. Comentei sobre o uso da automação utilizando o n8n (nunca usei, mas já ouvi falar). Ele não conhecia, mas ficou bem interessado e anotou para pesquisar depois. Engraçado que ele chegou a comentar sobre os custos de uso da API do WhatsApp, sabendo até como as empresas autorizadas pela Meta cobram (por mensagem enviada), o que para ele não faria sentido no momento.

Usando agentes

A cereja do bolo veio no final do serviço. Ao acompanhá-lo até a saída, ele me mostra um agente criado no ChatGPT que, a partir dos vídeos dos problemas que os clientes enviam e com as informações que ele forneceu, já consegue gerar o orçamento de forma automática. Assim, ele só copia e envia no WhatsApp. Ou seja, as pessoas (não estou generalizando, obviamente) estão antenadas e usando as ferramentas de IA, não só para pedir para escrever código JS, mas indo além.

Fiquei de conversar com ele, até para ajudá-lo, porque vi que tem interesse genuíno no uso das ferramentas de IA. Inclusive, pensei em fazer uma permuta: ele me ensina a ajustar boxes de banheiro, eu ajudo-o a otimizar seu fluxo de trabalho, por que não?

Nota: eu paguei pelo serviço